De pernas pro ar!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Nunca mais volta a dormir aquele que uma vez abriu os olhos”

Pé ante pé, foi dando passos em direção ao desconhecido. Dia após dia foi descobrindo um mundo novo a sua frente. Sabia, mas não entendia, que nada mais seria igual dali por diante. Era tudo novidade no seu mundo até então restrito.

Aquele universo se expandiu ao passo que o mundo dele também crescia. Um bifurcamento no seu caminho, daqueles que não há tempo de parar, pensar e decidir qual seguir. Foi coisa espontânea e imprevista. Quando se deu conta, já tinha mudado o trajeto.

Cores e sons cotidianos traduziram o que antes era dúvida. Nem tudo era novo, sua interpretação é que estava evoluindo. O ambiente sonhado, as circunstâncias perfeitas. Tudo agora era real.

A insegurança agora assombra aquele que não planeja, porém não chega a desmotivá-lo. A resposta para a pergunta que nunca fez está ali, na sua frente, como um glossário a auxiliar aquele que resenha um livro mesmo sem entendê-lo por completo. Relações profissionais, conversar informais, tudo era mais simples que imaginava.

Pra que continuar a ser aquele, se o novo é melhor pra mim? Porque se restringir se meu destino é ser um pouco de tudo?

Há de ser registrar, porém, que toda mudança requer uma fase de adaptação. Nem todos aceitam ou creditam confiança no novo. Principalmente se é, nas circunstâncias do novo, que se evolui.

Foto: Melina - Flickr Honey Pie!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Observações da morte: A menina que roubava livros

Lendo o livro A menina que roubava livros, esse trecho me chamou muito a atenção. Pareceu-me oportuno nesse 11 de setembro, 7 anos depois do famigerado atentado ao World Trade Center.

(...) às vezes a raça humana gosta de acelerar um pouquinho as coisas. Aumenta a produção de corpos e das almas que escapam. Umas tantas bombas costumam resolver a questão. Ou umas câmaras de gás, ou a conversinha de canhões distantes. Quando nada disso conclui os procedimentos, pelo menos despoja as pessoas de seus meios de subsistência, e passo a ver gente sem teto por toda parte(...) e há anos em que as almas e os corpos não se somam, multiplicam-se.

Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: "Apronte logo isso, apronte logo isso." E aí a gente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Meu mundo é hoje - Paulinho da Viola

De certo que nossas experiências fazem o que somos hoje. Nos tornamos criação de nossa própria história.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Planejar e esperar

Coisas interessantes podem acontecer,
Quando a calmaria começa a incomodar.
Ela chegou cambaleando com o destino solto pelo ar.
Seu querer é indeciso.
Com sonhos inqueridos por façanhas que não são as suas.

De tempos em tempos,
Cai na real e percebe o quão sem sentido é o seu caminho.
Uma trajetória tão cheia de percalços e desvios que lhe confunde entre o que é real e o que é imaginação.

Seus planos são tortos e, frágeis, não condizem com o seu destino. Todo um universo em contradição.
Toda uma vida em constante desconstrução.
Um emaranhado de erros acometidos em um sentido único.
Partículas em constante suspensão.
Condições que não se encaixam às necessidades.

O chão se desmanchou debaixo de seus pés antes mesmo que pudesse lhe abrir os olhos para o que estava por vir...
A ilusão de planejar o futuro deixou o plano emocional para permear o plano racional, onde se desfez por completo.

Não mais se tem a utopia de querer que seus sonhos se realizem.
Apenas há uma luta para ter ao alcance ferramentas para conquistar tudo o que, ainda assim, teima em planejar.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mas agora dói

Estou sangrando. Sangrando como nunca sangrei antes.
O sangue está jorrando, encharcando todo meu corpo.
Por onde eu passo, deixo rastros de sangue.

Omissões causaram arranhões que ardem minha pele.
Fragilizada, a mágoa que pulsava dentro de minhas veias não aguentou a porta na cara.

Não foi preciso cortar os plusos.
A ferida já estava aberta.
Não foi possível derramar uma lágrima sequer...

Assim como os soluços são involuntários, as agressões de defesa também assustam.
As pessoas morrem por tão pouco.
Quando tudo o que precisavam era ferir com leveza.

Tudo tem perdão. Mas nem todos são capazes de perdoar.

"Ser pedra é muito fácil, o difícil é ser vidraça".

sábado, 5 de abril de 2008

Chegue mais minha inspiração!


Comecei um, comecei dois, comecei três, quatro, cinco e até seis.
Larguei todos.
Acho que faltou sentimento.
Espremer o máximo dos temas é minha especialidade. Mas o que está faltando?
Falta aquela música que me arrepia a espinha, falta aquele livro que me faz querer cortar os pulsos, falta aquele filme que me faz chorar, falta aquela discussão que me dá embrulho na boca do estômago.
Falta aquele guri que me deixa sorrindo à toa, sonhando acordada. Faltam beijos ardentes, abraços apertados, olhares insdiscretos. Falta aquela ansiedade ou raiva que me deixa de perna bamba, garganta seca e mãos trêmulas.
Me pergunto agora o que estou fazendo de errado?
Se a cobrança me trava, o que será de minha profissão jornalística no futuro?
Se minha auto avaliação não condiz com a avaliação dos outros, quem devo seguir?
Meu foco está se perdendo entre tantas opções e tão poucas habilidades.
Foto por Cuper

sábado, 22 de março de 2008

Pensando nisso...

"A palavra é podrer. Ao esgotar seu significado, esgotamos nossa permanência". Fabrício Carpinejar

A idéia de um discurso veio pronta à minha mente. Minhas opiniões e questionamentos pareciam tão plausíveis quanto um abraço viria a calhar bem naquele momento.

Me sentia como detentora de um bem estimado por muitos. Ganhadora de um prêmio deveras concorrido.

De imediato, um frio percorreu por completo minha espinha. Um medo, ou talvez uma insegurança, teimou em me dominar. Aquela repentina reação fazia sentido.

Meu intelecto, até então preguiçoso, sentiu as cãibras de uma vida sedentária. Para onde teria ido meu vocabulário? As poucas palavras que conheço teriam que dar conta do recado.

Mas seriam elas bem interpretadas? Conseguiriam elas transmitir tudo aquilo que há muito tento explicar? Fazer sentido era o que menos me importava. Minha recente pretensão já se encarregava das minúncias negativas que poderiam me afetar.

Em poucos minutos incontados, o texto estava lá, pronto para ser lido e julgado. "Ele se foi", era como o texto começava. mas a frase poderia, sem esforço, encerrá-lo. Seus grandes feitos e revoluções iniciadas em seu nome estariam, a partir daquele momento, privadas de seu autor. Um nome sem personagem.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Muito além

Muito além das palavras.
Onde tudo que existe tem razão para existir.
Onde há o encontro de todas as almas.
Azul, amarelo, branco e vermelho.

Planos que coincidem sem razão.
Tornam vidas inclusas numa só construção.
À noite coisas novas acontecem que nem mesmo o sol tem vontade de saber.
Vou dormir agora e sonhar com você.

Essa luz que faz abrir os olhos também me cega.
O barulho incessante do movimentado dia nessa cidade me agita e me aborrece.
Não tomemos nossas fraquezas como principais características.
Posso ver em você algo incrivelmente planejado por Deus.

Pegadas marcadas com fé nos levam aos caminhos vitoriosos.
Não querer se comprometer é natural.
Mas não tente me convencer que fugir é a melhor saída.
Podemos criar um futuro fundamentado em tudo que de positivo há.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Irremediável pecado dos fracos

A raiva é um mal que possui o corpo.
O pecado da ira se apropria de forma inconsciente.
Toma conta.
Aprisiona a lucidez e liberta os mais profundos instintos.

Agentes externos são os causadores.
E se não os são, provocam o desagrado.
Uma ebulição de sentimentos se inicia e mesmo que haja tentativas de sessá-la, tudo se consegue ver, é nada.

As veias saltam à tez.
Os pensamentos surgem como se não viessem de mim.
Na verdade, nesse momento eu não sou eu.
Sou tudo aquilo que a tempos escondo ser.
Me torno aquilo que todos sempre fingiram não haver.

Em poucos segundos meus batimentos cardíacos aceleram a ponto de desordenar todo meu organismo.
Sinto uma lágrima escaldante correr sobre meu rosto, tomado pela vermelhidão sanguínea, que parece poder fazer evaporar o resquício de lágrima que me sobra.
As mãos logo ficam trêmulas, a voz embargada e o nó na garganta fica difícil de engolir.

E é nesse momento que acontece a explosão.
Grito em notas que meu pulmão quase não consegue acompanhar.
O ar me falta e os berros começam a rasgar a garganta.

E então surgem palavras mal pensadas, recombinadas durante tempos.
As mesmas palavras reconstruídas e reformulas para a resposta daquelas que vieram de encontro a mim, com as mais invertidas intenções.
Agora não há mais como se segurar.
Não há mais motivos para se segurar.
O que precisa ser dito será dito para desabafo da consciência.

Foto por Thabata Guerra.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nosso presente futuro

Direi palavras doces enquanto estiveres por perto.
Tu podes não acreditar, mas meus sonhos são tenros e verdadeiros.
Assim como os primeiros raios de sol me acordam nessa manhã.
Podes sentir meu coração batendo acelerado nesse momento?
Abri meu coração para que possas experimentar essa novidade comigo.

Sentirei vontades intermináveis.
Tu podes não acreditar, mas meus olhos estão repletos de tudo que em ti há de bom.
Assim como os primeiros olhares trocados entre nós.
Podes sentir minhas mãos suando nesse momento?
Abri meus olhos para que eu possa experimentar essa novidade contigo.

Convocarei todo o universo para testemunhar a nosso favor.
Não vês que estamos sendo julgados por sermos tão felizes?
Mas confesso que somos culpados.
Roubamos amor um do outro e seqüestramos a felicidade de todos os que não nos deram valor.

Desejarei estar em vários lugares estando em um só.
Porque contigo meus passos se perdem e meus caminhos dão voltas e voltas.
Só você consegue acertar no que os outros erram.
Nosso momento está no futuro, esperando a cura do presente.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Projeto solo

Levante-se e diga a todos aquilo que está engasgado.
Faça de seus sonhos, realidade.
Culpe somente a si mesmo por seus fracassos.
Ame suas lutas porque são elas que te levam às vitórias.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A felicidade se apropria daqueles que são merecedores.

Pobre criança bem nascida com futuro planejado.
Não cabe mais a ela viver.
Sapatos novos que caminham num caminho já gasto.
Escorrega no limo deixado por aqueles que por lá já passaram.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A tristeza se apropria daqueles que são merecedores.

Deite-se a noite e diga pra si mesmo que sua missão foi cumprida.
Fale para seus sonhos que você fez a sua parte.
Se reconcilie com sua consciência.
Ame suas vitórias porque elas são obras de sua trajetória.

Foto por Ludic

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Comunicar-me-ei ao longe por dentro

Não precisa me olhar assim pois compreendi tudo quando parou de falar.
Essa comunicação existe quando a mensagem que se deseja passar chega a seu destino com o sentido original.
Pense o que quiser que eu me encarrego de lhe interpretar.

No dia em que puder crer no que é formado a partir de singelos olhares, irá contactar que as almas também se comunicam.
Tudo o que for capaz de desejar expor, transcende a você.
Como uma gestação não premeditada que tem seus sinais tão óbvios.
Concebe algo inimaginavelmente poderoso.
Cria em meio a novas concepções aquilo que subversivo está pela sua natureza pretensiosa.

Nesse ritmo interclassificatório não é possível fazer rimas, pois os finais não são os mesmos.
E os meios se autojustificam durante a execução dos versos.
Lendo o amplo e irrestrito de tudo o que foi escrito pelo irracional coração, a confusa conclusão confunde até o criador.
E lá vamos nós nos deixar levar por tudo que se encaixa, desencaixando o que veio de fábrica.

Interrogações interrogam cada exclamação subentendida naquilo que transmitiu intencionalmente.
Tem como resposta a verdade inventada pela experiência.
Mas acredito que nessa confusão de se comunicar, não consiga me entender.
Perdoou. Perdoou porque sei que o signo muda de significado de acordo com o querer da mente de quem recebe a mensagem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Faço parte do processo

Ando por aí me apropriando de frases alheias.
Mas o que é da vida a não ser um monte de idéias dos outros?
É que ele disse tudo.
Tudo o que há muito eu queria dizer mas não encontrava as palavras.

Na hora da criação, a mente se esvazia.
O papel parece mais branco a cada segundo.
Impossível encontrar posição confortável para meus cotovelos, e as costas dóem.

É quando deito a cabeça à noite e espero a chegada do sono,
que aparecem as idéias que procurei o dia todo.

Não me culpes por ser incapaz de criar belas canções ou poemas.
São poucos aqueles que conseguem traduzir seus sentimentos em palavras.
Todo esse emaranhado de construções gramaticais que tens visto por aí não tem nada de coração.
Fragmentos de pensamentos alheios, parte de coisas boas dos outros.
E eu realmente sou incapaz de criar a perfeição daquilo que procuras.

Saber que consegues ler minhas entrelinhas,
faz minha verdade aparecer instantaneamente em um texto pronto.
Saber que o meu melhor faz de mim parte do que mais gosta em nós,
cria uma segurança jamais imaginada para alguém tão sem pretensão como eu.

Meus sentidos se aguçam e começam aos poucos a fazer sentido.
Ouço e logo escrevo. Vejo e logo crio. Leio e logo imagino.
Mais e mais me torno capaz de superar tuas expectativas.

Aguardo teu sinal de aprovação, como um bom servo que está a serviço de seu senhor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Quando chegar o momento certo

As respostas que tu procuras, eu certamente não posso dar.
O caminho que tu queres seguir, eu provavelmente não posso indicar.
E o carinho que agora tu podes sentir, é tudo o que posso oferecer...
Já que aquilo que lhe ofertei foi extraviado durante a viagem.
Mas se a distância permitir... me procures quando o momento certo chegar.