De pernas pro ar!
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Nunca mais volta a dormir aquele que uma vez abriu os olhos”

Pé ante pé, foi dando passos em direção ao desconhecido. Dia após dia foi descobrindo um mundo novo a sua frente. Sabia, mas não entendia, que nada mais seria igual dali por diante. Era tudo novidade no seu mundo até então restrito.

Aquele universo se expandiu ao passo que o mundo dele também crescia. Um bifurcamento no seu caminho, daqueles que não há tempo de parar, pensar e decidir qual seguir. Foi coisa espontânea e imprevista. Quando se deu conta, já tinha mudado o trajeto.

Cores e sons cotidianos traduziram o que antes era dúvida. Nem tudo era novo, sua interpretação é que estava evoluindo. O ambiente sonhado, as circunstâncias perfeitas. Tudo agora era real.

A insegurança agora assombra aquele que não planeja, porém não chega a desmotivá-lo. A resposta para a pergunta que nunca fez está ali, na sua frente, como um glossário a auxiliar aquele que resenha um livro mesmo sem entendê-lo por completo. Relações profissionais, conversar informais, tudo era mais simples que imaginava.

Pra que continuar a ser aquele, se o novo é melhor pra mim? Porque se restringir se meu destino é ser um pouco de tudo?

Há de ser registrar, porém, que toda mudança requer uma fase de adaptação. Nem todos aceitam ou creditam confiança no novo. Principalmente se é, nas circunstâncias do novo, que se evolui.

Foto: Melina - Flickr Honey Pie!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mas agora dói

Estou sangrando. Sangrando como nunca sangrei antes.
O sangue está jorrando, encharcando todo meu corpo.
Por onde eu passo, deixo rastros de sangue.

Omissões causaram arranhões que ardem minha pele.
Fragilizada, a mágoa que pulsava dentro de minhas veias não aguentou a porta na cara.

Não foi preciso cortar os plusos.
A ferida já estava aberta.
Não foi possível derramar uma lágrima sequer...

Assim como os soluços são involuntários, as agressões de defesa também assustam.
As pessoas morrem por tão pouco.
Quando tudo o que precisavam era ferir com leveza.

Tudo tem perdão. Mas nem todos são capazes de perdoar.

"Ser pedra é muito fácil, o difícil é ser vidraça".

sábado, 5 de abril de 2008

Chegue mais minha inspiração!


Comecei um, comecei dois, comecei três, quatro, cinco e até seis.
Larguei todos.
Acho que faltou sentimento.
Espremer o máximo dos temas é minha especialidade. Mas o que está faltando?
Falta aquela música que me arrepia a espinha, falta aquele livro que me faz querer cortar os pulsos, falta aquele filme que me faz chorar, falta aquela discussão que me dá embrulho na boca do estômago.
Falta aquele guri que me deixa sorrindo à toa, sonhando acordada. Faltam beijos ardentes, abraços apertados, olhares insdiscretos. Falta aquela ansiedade ou raiva que me deixa de perna bamba, garganta seca e mãos trêmulas.
Me pergunto agora o que estou fazendo de errado?
Se a cobrança me trava, o que será de minha profissão jornalística no futuro?
Se minha auto avaliação não condiz com a avaliação dos outros, quem devo seguir?
Meu foco está se perdendo entre tantas opções e tão poucas habilidades.
Foto por Cuper

sábado, 22 de março de 2008

Pensando nisso...

"A palavra é podrer. Ao esgotar seu significado, esgotamos nossa permanência". Fabrício Carpinejar

A idéia de um discurso veio pronta à minha mente. Minhas opiniões e questionamentos pareciam tão plausíveis quanto um abraço viria a calhar bem naquele momento.

Me sentia como detentora de um bem estimado por muitos. Ganhadora de um prêmio deveras concorrido.

De imediato, um frio percorreu por completo minha espinha. Um medo, ou talvez uma insegurança, teimou em me dominar. Aquela repentina reação fazia sentido.

Meu intelecto, até então preguiçoso, sentiu as cãibras de uma vida sedentária. Para onde teria ido meu vocabulário? As poucas palavras que conheço teriam que dar conta do recado.

Mas seriam elas bem interpretadas? Conseguiriam elas transmitir tudo aquilo que há muito tento explicar? Fazer sentido era o que menos me importava. Minha recente pretensão já se encarregava das minúncias negativas que poderiam me afetar.

Em poucos minutos incontados, o texto estava lá, pronto para ser lido e julgado. "Ele se foi", era como o texto começava. mas a frase poderia, sem esforço, encerrá-lo. Seus grandes feitos e revoluções iniciadas em seu nome estariam, a partir daquele momento, privadas de seu autor. Um nome sem personagem.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Muito além

Muito além das palavras.
Onde tudo que existe tem razão para existir.
Onde há o encontro de todas as almas.
Azul, amarelo, branco e vermelho.

Planos que coincidem sem razão.
Tornam vidas inclusas numa só construção.
À noite coisas novas acontecem que nem mesmo o sol tem vontade de saber.
Vou dormir agora e sonhar com você.

Essa luz que faz abrir os olhos também me cega.
O barulho incessante do movimentado dia nessa cidade me agita e me aborrece.
Não tomemos nossas fraquezas como principais características.
Posso ver em você algo incrivelmente planejado por Deus.

Pegadas marcadas com fé nos levam aos caminhos vitoriosos.
Não querer se comprometer é natural.
Mas não tente me convencer que fugir é a melhor saída.
Podemos criar um futuro fundamentado em tudo que de positivo há.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Irremediável pecado dos fracos

A raiva é um mal que possui o corpo.
O pecado da ira se apropria de forma inconsciente.
Toma conta.
Aprisiona a lucidez e liberta os mais profundos instintos.

Agentes externos são os causadores.
E se não os são, provocam o desagrado.
Uma ebulição de sentimentos se inicia e mesmo que haja tentativas de sessá-la, tudo se consegue ver, é nada.

As veias saltam à tez.
Os pensamentos surgem como se não viessem de mim.
Na verdade, nesse momento eu não sou eu.
Sou tudo aquilo que a tempos escondo ser.
Me torno aquilo que todos sempre fingiram não haver.

Em poucos segundos meus batimentos cardíacos aceleram a ponto de desordenar todo meu organismo.
Sinto uma lágrima escaldante correr sobre meu rosto, tomado pela vermelhidão sanguínea, que parece poder fazer evaporar o resquício de lágrima que me sobra.
As mãos logo ficam trêmulas, a voz embargada e o nó na garganta fica difícil de engolir.

E é nesse momento que acontece a explosão.
Grito em notas que meu pulmão quase não consegue acompanhar.
O ar me falta e os berros começam a rasgar a garganta.

E então surgem palavras mal pensadas, recombinadas durante tempos.
As mesmas palavras reconstruídas e reformulas para a resposta daquelas que vieram de encontro a mim, com as mais invertidas intenções.
Agora não há mais como se segurar.
Não há mais motivos para se segurar.
O que precisa ser dito será dito para desabafo da consciência.

Foto por Thabata Guerra.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nosso presente futuro

Direi palavras doces enquanto estiveres por perto.
Tu podes não acreditar, mas meus sonhos são tenros e verdadeiros.
Assim como os primeiros raios de sol me acordam nessa manhã.
Podes sentir meu coração batendo acelerado nesse momento?
Abri meu coração para que possas experimentar essa novidade comigo.

Sentirei vontades intermináveis.
Tu podes não acreditar, mas meus olhos estão repletos de tudo que em ti há de bom.
Assim como os primeiros olhares trocados entre nós.
Podes sentir minhas mãos suando nesse momento?
Abri meus olhos para que eu possa experimentar essa novidade contigo.

Convocarei todo o universo para testemunhar a nosso favor.
Não vês que estamos sendo julgados por sermos tão felizes?
Mas confesso que somos culpados.
Roubamos amor um do outro e seqüestramos a felicidade de todos os que não nos deram valor.

Desejarei estar em vários lugares estando em um só.
Porque contigo meus passos se perdem e meus caminhos dão voltas e voltas.
Só você consegue acertar no que os outros erram.
Nosso momento está no futuro, esperando a cura do presente.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Projeto solo

Levante-se e diga a todos aquilo que está engasgado.
Faça de seus sonhos, realidade.
Culpe somente a si mesmo por seus fracassos.
Ame suas lutas porque são elas que te levam às vitórias.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A felicidade se apropria daqueles que são merecedores.

Pobre criança bem nascida com futuro planejado.
Não cabe mais a ela viver.
Sapatos novos que caminham num caminho já gasto.
Escorrega no limo deixado por aqueles que por lá já passaram.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A tristeza se apropria daqueles que são merecedores.

Deite-se a noite e diga pra si mesmo que sua missão foi cumprida.
Fale para seus sonhos que você fez a sua parte.
Se reconcilie com sua consciência.
Ame suas vitórias porque elas são obras de sua trajetória.

Foto por Ludic

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Comunicar-me-ei ao longe por dentro

Não precisa me olhar assim pois compreendi tudo quando parou de falar.
Essa comunicação existe quando a mensagem que se deseja passar chega a seu destino com o sentido original.
Pense o que quiser que eu me encarrego de lhe interpretar.

No dia em que puder crer no que é formado a partir de singelos olhares, irá contactar que as almas também se comunicam.
Tudo o que for capaz de desejar expor, transcende a você.
Como uma gestação não premeditada que tem seus sinais tão óbvios.
Concebe algo inimaginavelmente poderoso.
Cria em meio a novas concepções aquilo que subversivo está pela sua natureza pretensiosa.

Nesse ritmo interclassificatório não é possível fazer rimas, pois os finais não são os mesmos.
E os meios se autojustificam durante a execução dos versos.
Lendo o amplo e irrestrito de tudo o que foi escrito pelo irracional coração, a confusa conclusão confunde até o criador.
E lá vamos nós nos deixar levar por tudo que se encaixa, desencaixando o que veio de fábrica.

Interrogações interrogam cada exclamação subentendida naquilo que transmitiu intencionalmente.
Tem como resposta a verdade inventada pela experiência.
Mas acredito que nessa confusão de se comunicar, não consiga me entender.
Perdoou. Perdoou porque sei que o signo muda de significado de acordo com o querer da mente de quem recebe a mensagem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Faço parte do processo

Ando por aí me apropriando de frases alheias.
Mas o que é da vida a não ser um monte de idéias dos outros?
É que ele disse tudo.
Tudo o que há muito eu queria dizer mas não encontrava as palavras.

Na hora da criação, a mente se esvazia.
O papel parece mais branco a cada segundo.
Impossível encontrar posição confortável para meus cotovelos, e as costas dóem.

É quando deito a cabeça à noite e espero a chegada do sono,
que aparecem as idéias que procurei o dia todo.

Não me culpes por ser incapaz de criar belas canções ou poemas.
São poucos aqueles que conseguem traduzir seus sentimentos em palavras.
Todo esse emaranhado de construções gramaticais que tens visto por aí não tem nada de coração.
Fragmentos de pensamentos alheios, parte de coisas boas dos outros.
E eu realmente sou incapaz de criar a perfeição daquilo que procuras.

Saber que consegues ler minhas entrelinhas,
faz minha verdade aparecer instantaneamente em um texto pronto.
Saber que o meu melhor faz de mim parte do que mais gosta em nós,
cria uma segurança jamais imaginada para alguém tão sem pretensão como eu.

Meus sentidos se aguçam e começam aos poucos a fazer sentido.
Ouço e logo escrevo. Vejo e logo crio. Leio e logo imagino.
Mais e mais me torno capaz de superar tuas expectativas.

Aguardo teu sinal de aprovação, como um bom servo que está a serviço de seu senhor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Quando chegar o momento certo

As respostas que tu procuras, eu certamente não posso dar.
O caminho que tu queres seguir, eu provavelmente não posso indicar.
E o carinho que agora tu podes sentir, é tudo o que posso oferecer...
Já que aquilo que lhe ofertei foi extraviado durante a viagem.
Mas se a distância permitir... me procures quando o momento certo chegar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um breve comentário sobre o caso da jovem presa com 20 homens no Pará

Uma moça, uma jovem, uma menina recém-tornada mulher. Aos 15 anos cometeu um erro, um crime aos olhos do Estado. Foi presa por furtar, mas a condenaram por um crime maior, um crime muitas vezes imperdoável, mas em alguns casos, afiançável. A jovem foi condenada por ser mulher.

Dizem por aí que ela é culpada. A mulher é uma cobra que envenena os homens contra seus próprios extintos. Dizem também que quem erra tem que pagar, independente da natureza do erro. Poucos têm coragem de dizer que a moça era quase uma menina. Menina que foi vítima de violência. Usaram sem excrúpulos, seu corpo e sua alma.

Pouco se ouve sobre aqueles os quais não se pode culpar. Nada parece acontecer aos que tinham o dever de guardar e proteger. Homens condenados por crimes que se sentem no direito de cometer outros crimes. Outros homens que cometem crimes amparados pela lei.

A nitidez da podridão do Sistema Carcerário no Brasil parece não mais nos abalar. É bem verdade que nos dizemos revoltados, mas nossa atitude não é de revolta, é de omissão. O Estado fechou os olhos para o problema, e a sociedade se calou diante das consequências.

Para situar:

http://www.cabecadecuia.com.br/noticia.php?id=14178

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sem mistério pra você

Quero ser pra ti mais que um mistério
Povoar teus pensamentos
Nem de mais nem de menos
Estar presente em tuas lembranças
Nem tão longe nem tão perto
Propiciar a ti bons momentos
Na medida mais precisa que eu puder

Mas querer-te sem medida
E felicitar a tua vida
Da maneira mais precisa que eu souber

Sem tirar de ti a liberdade
E apenas com carinho te sufocar
Fazer da minha a tua vontade
Agradecendo a Deus o seu aqui morar

Falar não apenas por falar
Calar não apenas para agradar
Estar simplesmente por amar
Aquecer o teu íntimo e ser-te par

O tempo a de acertar nossa distância
Ver quão bonito é ser pra ti todo esse mistério
Desvendar-nos com paciência
E confessar que precisamos aprender.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O último passageiro do 'Ônibus 174'

Um homem pobre, o garoto esquecido, o ser invisível, o pobre coitado.
Uma alma perdida, a vida sem rumo, a história sem fim, a criança do mundo.

Oportunidades não existem para aquele que na vida nunca teve alguém que zelasse por ele.
Liberdade nunca houve para eles que nascem e morrem na fila da sobrevivência.
Vítimas sempre foram daqueles que os consideram culpados.
Errados do nascimento à morte.

Acusam o menino de ser um homem ruim.
Violentam a menina que queria ser alguém.
Usam todos nós como cúmplices da barbárie.
Aprisionam nossos dias a realidades irreais.

Seu filho nasce, cresce, se reproduz e morre. Estuda, trabalha, escreve um livro e planta uma árvore.
O filho dela, não se sabe.
O menino joga bola, pião e solta pipa. Corre e foge. Pede, rouba e ganha. Fuma e cheira.

O menino-homem não sabe mais sonhar. Seu choro, assim como ele, é invisível.
Não existe revolta no coração daquele que não sabe o que é ser alguém.
Aquela revolta de que falamos está nos olhos de quem vê até que ponto pode chegar a necessidade humana.

Ele necessitava de alguém. Ela necessitava de Deus. O policial necessitava do governo. E nós necessitamos do quê?

http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174/onibus-174.asp

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Minha experiência com Estamira

A mente tenta fugir do que o coração teima em pensar.
Uma esperta fuga por algo que desembarace esses pensamentos cansativos.
A realidade muitas vezes cansa os olhos e a mente.
Fere o inconsciente da gente.
Inverte a esperança e frustra a imaginação.

O que vi afugentou de mim tudo que pensava ser real. Aqueles olhos vermelhos e ressecados, aquela pele quebradiça do sol, cheia de imperfeições causadas pelo tempo. Tempo de vida que lhe custou muitas lágrimas, tempo que judiou da sua inocência, tempo que confundiu sua fé. Esse mesmo tempo presenteou-a com sabedoria e castigou-a com a insanidade. Tanto mal tornou-lhe-a boa. Fez do sofrimento uma bagagem indispensável para saborear a vida.

Causou tremendo espanto o meu não espanto. Já que me desprendi de críticas superficiais e observações maldosas, hoje me atenho a fazer colocações sobre o sinto e o que vejo, acreditando que essas experiências, por me abalarem, me tornam mais capaz de ser distante, mas nem por isso menos envolvida ou engajada.

Dica: www.cranik.com/estamira.html

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Gastronomia de você


Peguei você na prateleira mais alta do mercado. Tive que me esforçar muito para alcançá-lo, já que sou muito pequena.
Decidi fazer de você a melhor refeição que já fiz na vida. Fiz tudo baseado em experiências anteriores. Afinal, depois de tanto errar, hoje sei o ponto certo que devo assar e a quantidade exata de ingredientes que devo pôr em cada etapa.
Adocei o amargo café dos meus dias com suas palavras.Temperei a mistura insossa e sem sal das minhas noites com suas carícias.
Fervi com o calor da sua pele, congelei com a sua falta, piquei com a força dos seus braços, e servi tudo acompanhado daquela bebida que me embriaga como o seu perfume.
Fiz de você meu prato principal e minha refeição preferida.

Porque tudo que ele escreve, eu leio.

"Tu achas que eu estou aqui. Tu achas que está conversando comigo, e que eu presto atenção, que eu concordo, respondo, discordo, te ouço, argumento e novamente discordo. Mas eu não estou aqui. Eu não estou nem aí.

É que por tantas vezes eu achei que tu estivesses comigo, tantas vezes eu, inclusive, jurei que estava conversando contigo, e que tu prestavas atenção, concordava, respondia, discordava, me ouvia, contra-argumentava e, novamente, discordava. Mas você não estava aqui. Você não estava nem aí.

E é assim mesmo, sumidos de nós mesmos, que sobrevivemos aos golpes dos dias. Não é por acaso que surgem em nossos caminhos esses buracos. Nosso caminho é o mesmo, nosso vetor é o mesmo, mas é a nossa direção que nos faz bater de frente. E bater de frente dói demais, justamente porque a gente sabe exatamente tudo sobre o obstáculo que se aproxima, mas somos sempre acometidos pela impossibilidade do desvio.

Na verdade, a gente gosta mesmo é do conflito. E isso nunca vai mudar."

Texto e foto de Lucas Silveira.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O recheio

O pacote de biscoitos estava fechado. Sentada, esparramada no sofá. A jovem, lá pelos seus 20 e poucos anos está com fome. Puxa a fita lateral, abrindo com delicadeza o pacote. Os biscoitos são do tipo comum, com recheio de chocolate.

Cultuou desde a infância um jeito próprio de comer esse tipo de biscoitos. Um por um, abre e separa o recheio da parte crocante.

Come primeiro a parte dura, sem-graça e difícil de engolir. Depois vem a hora de saborear a parte mole, doce e delicada.

Com a TV desligada, os devaneios tomam conta. E a jovem começa a comparar sua vida com aquele processo de comer biscoitos.

Veio primeiro a fase dura e sem-graça. É bem verdade que foi preciso tomar bons copos d'água para ajudar a engolir certas coisas. Mas chegou o momento de se fartar com a melhor parte. Açucarar a boca, ativando hormônios, como faz o chocolate que libera endorfina, relaxando os músculos ao mesmo tempo em que dá energia, e deixando estampado em seu rosto uma leve expressão de satisfação.

Foi ela que cultivou esse jeito de encarar as fases da vida, ou foi a vida que resolveu separar a parte boa da ruim? É a jovem que prefere acreditar que depois de se esforçar e comer [ até com certo gosto] a parte ruim, tem sempre a parte boa para deixá-la contente?

Prefiro acreditar que em todo pacote de vida há vários biscoitos, cujo sabor vem ao acaso. Cada biscoito, cada momento da vida, tem sempre partes duras, que podem (ou não), vir recheadas com momentos bons. Cabe a cada um decidir o melhor modo de saborear os biscoitos, e não deixar nenhum farelo para trás.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Como se fosse...é!

Há dias que não sinto meus ombros relaxados
Os últimos acontecimentos não têm sido fáceis
Coisas bizarras estão acontecendo comigo

Palavras mal colocadas me machucam
Olhares indiscretos me penetram
Minha mente me confunde e me enlouquece

Fatos sem importância passaram a importar
No momento mais propício não sei o que falar
Ele fala como se acreditasse
Ela concorda como se importasse

O espelho reflete a mais profunda angústia
Mas esconder é inútil quando não se sabe o quê
Onde encontrar a solução do problema que não se identifica?
Ele sabe a resposta, mas é o problema que não vê

E no segundo mais desesperador
Naquele instante que o fôlego esvai-se
Ela diz 'tudo bem'
A frase é vaga
Vaga pelo universo sem encontrar destino

Ela fala como se acreditasse
Ele concorda como se importasse

domingo, 19 de agosto de 2007

O porquê dessas lágrimas

Essa noite poderia ter um final feliz. Feliz não, tranquilo. Ou, pelo menos, terminar melhor que começou. Mas você precisava dizer isso? Distorcendo minhas palavras ao teu bel prazer, nessa busca incessante de motivos pra me fazer sentir culpada por nada. Bagagem de suas próprias frustrações.

Sem pensar o quanto me desapontaria, falou coisas erradas a meu respeito. É triste, é irreversível, e foi homologado em primeira instância.

Não reconheço essa lágrima que escorre em meu rosto. Escondo de mim mesma que essa minha teimosia às vezes me põem em enrascadas.

E enquanto o carro passa por essas ruas desertas, imagino o quanto seria perfeito estar só nesse momento.Onde minhas idéias, lágrimas e exclamações estariam livres para se propagar dando sentido aos repentinos gritos que ecoam em minha mente.

Citando meu aspirante a poeta, reconheço que vivo de remendos, de soldas mal-feitas e colagens que me salvam. Eu sou a agulha e a linha.