De pernas pro ar!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nosso presente futuro

Direi palavras doces enquanto estiveres por perto.
Tu podes não acreditar, mas meus sonhos são tenros e verdadeiros.
Assim como os primeiros raios de sol me acordam nessa manhã.
Podes sentir meu coração batendo acelerado nesse momento?
Abri meu coração para que possas experimentar essa novidade comigo.

Sentirei vontades intermináveis.
Tu podes não acreditar, mas meus olhos estão repletos de tudo que em ti há de bom.
Assim como os primeiros olhares trocados entre nós.
Podes sentir minhas mãos suando nesse momento?
Abri meus olhos para que eu possa experimentar essa novidade contigo.

Convocarei todo o universo para testemunhar a nosso favor.
Não vês que estamos sendo julgados por sermos tão felizes?
Mas confesso que somos culpados.
Roubamos amor um do outro e seqüestramos a felicidade de todos os que não nos deram valor.

Desejarei estar em vários lugares estando em um só.
Porque contigo meus passos se perdem e meus caminhos dão voltas e voltas.
Só você consegue acertar no que os outros erram.
Nosso momento está no futuro, esperando a cura do presente.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Projeto solo

Levante-se e diga a todos aquilo que está engasgado.
Faça de seus sonhos, realidade.
Culpe somente a si mesmo por seus fracassos.
Ame suas lutas porque são elas que te levam às vitórias.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A felicidade se apropria daqueles que são merecedores.

Pobre criança bem nascida com futuro planejado.
Não cabe mais a ela viver.
Sapatos novos que caminham num caminho já gasto.
Escorrega no limo deixado por aqueles que por lá já passaram.

A paz de sua alma só você pode conquistar.
Deus ilumina os passos, mas os caminhos seguros só você pode criar.
A tristeza se apropria daqueles que são merecedores.

Deite-se a noite e diga pra si mesmo que sua missão foi cumprida.
Fale para seus sonhos que você fez a sua parte.
Se reconcilie com sua consciência.
Ame suas vitórias porque elas são obras de sua trajetória.

Foto por Ludic

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Comunicar-me-ei ao longe por dentro

Não precisa me olhar assim pois compreendi tudo quando parou de falar.
Essa comunicação existe quando a mensagem que se deseja passar chega a seu destino com o sentido original.
Pense o que quiser que eu me encarrego de lhe interpretar.

No dia em que puder crer no que é formado a partir de singelos olhares, irá contactar que as almas também se comunicam.
Tudo o que for capaz de desejar expor, transcende a você.
Como uma gestação não premeditada que tem seus sinais tão óbvios.
Concebe algo inimaginavelmente poderoso.
Cria em meio a novas concepções aquilo que subversivo está pela sua natureza pretensiosa.

Nesse ritmo interclassificatório não é possível fazer rimas, pois os finais não são os mesmos.
E os meios se autojustificam durante a execução dos versos.
Lendo o amplo e irrestrito de tudo o que foi escrito pelo irracional coração, a confusa conclusão confunde até o criador.
E lá vamos nós nos deixar levar por tudo que se encaixa, desencaixando o que veio de fábrica.

Interrogações interrogam cada exclamação subentendida naquilo que transmitiu intencionalmente.
Tem como resposta a verdade inventada pela experiência.
Mas acredito que nessa confusão de se comunicar, não consiga me entender.
Perdoou. Perdoou porque sei que o signo muda de significado de acordo com o querer da mente de quem recebe a mensagem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Faço parte do processo

Ando por aí me apropriando de frases alheias.
Mas o que é da vida a não ser um monte de idéias dos outros?
É que ele disse tudo.
Tudo o que há muito eu queria dizer mas não encontrava as palavras.

Na hora da criação, a mente se esvazia.
O papel parece mais branco a cada segundo.
Impossível encontrar posição confortável para meus cotovelos, e as costas dóem.

É quando deito a cabeça à noite e espero a chegada do sono,
que aparecem as idéias que procurei o dia todo.

Não me culpes por ser incapaz de criar belas canções ou poemas.
São poucos aqueles que conseguem traduzir seus sentimentos em palavras.
Todo esse emaranhado de construções gramaticais que tens visto por aí não tem nada de coração.
Fragmentos de pensamentos alheios, parte de coisas boas dos outros.
E eu realmente sou incapaz de criar a perfeição daquilo que procuras.

Saber que consegues ler minhas entrelinhas,
faz minha verdade aparecer instantaneamente em um texto pronto.
Saber que o meu melhor faz de mim parte do que mais gosta em nós,
cria uma segurança jamais imaginada para alguém tão sem pretensão como eu.

Meus sentidos se aguçam e começam aos poucos a fazer sentido.
Ouço e logo escrevo. Vejo e logo crio. Leio e logo imagino.
Mais e mais me torno capaz de superar tuas expectativas.

Aguardo teu sinal de aprovação, como um bom servo que está a serviço de seu senhor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Quando chegar o momento certo

As respostas que tu procuras, eu certamente não posso dar.
O caminho que tu queres seguir, eu provavelmente não posso indicar.
E o carinho que agora tu podes sentir, é tudo o que posso oferecer...
Já que aquilo que lhe ofertei foi extraviado durante a viagem.
Mas se a distância permitir... me procures quando o momento certo chegar.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Mas eles apodrecem, fazer o quê?

Morangos Mofados, livro de Caio Fernado Abreu. (Agir, Rio de Janeiro, 2005, 158 páginas). Publicado originalmente em 1982, a obra mais conhecida de Caio Fernando Abreu traz inquietações e constrangimentos, tratando do cotidiano de indivíduos que estão sufocados em suas próprias vidas e histórias. O escritor gaúcho, nascido em 1948, na cidade de Santiago do Boqueirão, atuou como jornalista, escritor e editor de livros. Lançou onze livros e foi traduzido para diversas línguas.

“Morangos Mofados” trata de contos que aparentemente não possuem o mesmo viés, mas que, ao fim do livro, parecem se trançar, tecendo narrativas sobre um tema em comum: a fragilidade e a intempestividade de ser humano. O livro é dividido em três partes: “O Mofo”, “O Morango” e “Morangos Mofados”. Os contos de o “Mofo” foram assim classificados já que passam a ligeira impressão de que as relações neles narradas estão em estágio de decomposição, seja por falta de estímulo, seja por agreções sofridas por ambas as partes. Os contos do “Morango” possuem uma temática diferente, no que se refere ao conteúdo das relações narradas, porém não fogem do tema principal. Morangos Mofados é o último conto e consegue encerrar o livro dando um fio de esperança nas relações existenciais, apesar do provável fracasso esboçado pelo autor.

Os contos abordam o fracasso daqueles que, de alguma forma, possuem dificuldade de comunicação, seja ela com o próximo ou consigo mesmo. Em uma atmosfera excessivamente urbana, as personagens compartilham de angústias nas quais estão presas. Em vários contos, as personagens se utilizam de formas diversas de escapismo, como drogas e relações sexuais. É possível perceber uma leve conexão entre a problemática de cada conto, por exemplo, o embaraço do auto-conhecimento. Barreiras tanto existenciais quanto sociais também estão presentes, a solidão, a frustração, o erro no julgar o outro, a não-adaptação ao próprio corpo, o homosexualismo, a desigualdade financeira, o desapego à vida. Muitas narrativas chocam pela linguagem utilizada pelo autor, com o uso indiscriminado de expressões chulas ou deveras coloquiais.

Caio Fernando Abreu apresenta em “Morangos Mofados” o estilo pouco rebuscado presente em literaturas da contracultura. Movimento dos anos 60, em que os jovens inovaram estilos, voltando-se mais para o anti-social, focado principalmente nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento, e pequenas realidades do cotidiano. O texto de “Morangos Mofados” dificulta o entendimento por falta ou inadequação das pontuações, mas que, por vezes, dá liberdade de interpretação ao leitor.

Um livro repleto de conflitos fortes e marcantes, que trazem à tona discursões pouco usuais, principalmente em se tratando do período em que foi publicado (anos 80). Cada conto tem uma evolução gradual de conflitos, que prendem e perturbam a atenção. Personagens dignos de pena, mas que remetem a uma identificação com o leitor muitas vezes constrangedora.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um breve comentário sobre o caso da jovem presa com 20 homens no Pará

Uma moça, uma jovem, uma menina recém-tornada mulher. Aos 15 anos cometeu um erro, um crime aos olhos do Estado. Foi presa por furtar, mas a condenaram por um crime maior, um crime muitas vezes imperdoável, mas em alguns casos, afiançável. A jovem foi condenada por ser mulher.

Dizem por aí que ela é culpada. A mulher é uma cobra que envenena os homens contra seus próprios extintos. Dizem também que quem erra tem que pagar, independente da natureza do erro. Poucos têm coragem de dizer que a moça era quase uma menina. Menina que foi vítima de violência. Usaram sem excrúpulos, seu corpo e sua alma.

Pouco se ouve sobre aqueles os quais não se pode culpar. Nada parece acontecer aos que tinham o dever de guardar e proteger. Homens condenados por crimes que se sentem no direito de cometer outros crimes. Outros homens que cometem crimes amparados pela lei.

A nitidez da podridão do Sistema Carcerário no Brasil parece não mais nos abalar. É bem verdade que nos dizemos revoltados, mas nossa atitude não é de revolta, é de omissão. O Estado fechou os olhos para o problema, e a sociedade se calou diante das consequências.

Para situar:

http://www.cabecadecuia.com.br/noticia.php?id=14178

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sem mistério pra você

Quero ser pra ti mais que um mistério
Povoar teus pensamentos
Nem de mais nem de menos
Estar presente em tuas lembranças
Nem tão longe nem tão perto
Propiciar a ti bons momentos
Na medida mais precisa que eu puder

Mas querer-te sem medida
E felicitar a tua vida
Da maneira mais precisa que eu souber

Sem tirar de ti a liberdade
E apenas com carinho te sufocar
Fazer da minha a tua vontade
Agradecendo a Deus o seu aqui morar

Falar não apenas por falar
Calar não apenas para agradar
Estar simplesmente por amar
Aquecer o teu íntimo e ser-te par

O tempo a de acertar nossa distância
Ver quão bonito é ser pra ti todo esse mistério
Desvendar-nos com paciência
E confessar que precisamos aprender.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O último passageiro do 'Ônibus 174'

Um homem pobre, o garoto esquecido, o ser invisível, o pobre coitado.
Uma alma perdida, a vida sem rumo, a história sem fim, a criança do mundo.

Oportunidades não existem para aquele que na vida nunca teve alguém que zelasse por ele.
Liberdade nunca houve para eles que nascem e morrem na fila da sobrevivência.
Vítimas sempre foram daqueles que os consideram culpados.
Errados do nascimento à morte.

Acusam o menino de ser um homem ruim.
Violentam a menina que queria ser alguém.
Usam todos nós como cúmplices da barbárie.
Aprisionam nossos dias a realidades irreais.

Seu filho nasce, cresce, se reproduz e morre. Estuda, trabalha, escreve um livro e planta uma árvore.
O filho dela, não se sabe.
O menino joga bola, pião e solta pipa. Corre e foge. Pede, rouba e ganha. Fuma e cheira.

O menino-homem não sabe mais sonhar. Seu choro, assim como ele, é invisível.
Não existe revolta no coração daquele que não sabe o que é ser alguém.
Aquela revolta de que falamos está nos olhos de quem vê até que ponto pode chegar a necessidade humana.

Ele necessitava de alguém. Ela necessitava de Deus. O policial necessitava do governo. E nós necessitamos do quê?

http://www.adorocinema.com/filmes/onibus-174/onibus-174.asp

terça-feira, 13 de novembro de 2007

No começo tudo são flores...

Ela errou no início. Acreditou que nada disso teria futuro
Eram o tipo de palavras que eles dizem a todas as mulheres...
Mas agora ela pode ver que ele é tudo o que sempre quis
Ele é tudo que sempre quis

Ela precisa dizer que esses joguinhos não combinam com ela, embora tudo a sua volta cobre que se faça dos sentimentos cartas de um baralho cujo jogo é jogado individualmente.

Ela prefere esquecer experiências anteriores
Prefere acreditar no ele diz
Prefere ignorar os conselhos das amigas

Ele prefere acreditar que ela é o que ele imagina ser
Prefere arriscar o que tem em mãos
Prefere tentar conquistá-la a ficar com o que já conquistou

Ela sente que algo bom está surgindo
E acredita que o destino trata de colocá-los no caminho certo