De pernas pro ar!

quinta-feira, 26 de março de 2009

do brasiliense

A intelectualidade aqui é anos 70.
É vinil, é concreto.
Sem querer, é um pouco Juscelino Kubitschek.
Não tem banquinho, nem violão.
Só um pouco de cigarra cantando no parque da cidade.

terça-feira, 17 de março de 2009

A noite de ontem me lembrou a nossa noite. Digo nossa noite porque foi só o que nos restou, a lembrança de uma noite.

Na estante da nossa história, acabei por abrir uma gaveta diferente.
Encontrei lembranças que achei ter esquecido.
Realmente acreditei que não as veria novamente.
Muito menos imaginei que teria tal reação ao tê-las de volta ao meu quarto.

Com a mão pronta para discar seu número. Não o tenho mais.
Apenas chamei por teu nome.
E por um segundo quase pude senti-lo de volta a meus lençóis.

Então vi o contorno de seus mansos olhos amendoados iluminados apenas pela luz que entrava pela janela.
Novamente beijei a ponta do seu nariz. Me despedi.

Hoje não sei o que dizer da façanha do tempo, que na de esfriar conseguiu tirar faísca do que era gelo.
E de tanto que estudei, aprendi errado.
Mas sigo meu caminho.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Só mais um. Apenas mais um.

Invade.
Corta e rasga por dentro.
Sem permissão, me invade.
É minha fantasia.
Não sabe, mas é.

Completa, entende.
O bem que faz, agride.
Quero tanto, que não posso.
Gerencio, aguardo, sorrio.
Rio. Rio alto.
Acho graça,
Do mundo que eu inventei.

Guardo-me, te guardo.
Presenteio, agrado.
Minto, minto tanto que acredito.

É tempo de mudança.
É tempo de te trazer pra perto.
Tempo de me apressar
De cortar e de colar
De montar e desmontar.
Fazer tudo novo, de novo.

Quero mais, muito mais.
Mas não me atrevo.
Não posso como sempre, não posso. Nunca posso.
Só em sonho.
Piada mesmo.

Nem lhe cobro.
Apenas viajo.
Vou e volto. Fico um pouco, as vezes até muito. Mas sempre volto.
Porque é só mais um. Apenas um.
Nada disso, ora! Deixe eu voltar pro meu jogo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Num dia desses...

Foi preciso, do que mais quero
Essa manhã vir me consolar
Dos problemas mais terrenos
A solução vir do mar

Daquilo que é mais divino
Se preencher meu espírito
Inundando meus olhos
Com inúmeros pixels que não posso guardar

Lente óptica capitadora de constelações
Capture a imensidão imensurável
Da grandiosidade que vejo, que sinto e que me transborda a alma

Como nomear o que não tem nome?
Como explicar o inexplicável?
Como fugir dos clichês mesmo chafurdando-se neles?

Traz de volta aquele serrar de olhos
Onde o vento carrega areia e o sol reflete o mar

Mascaro o som divino com minha playliste descompensada
Reflito ao som do seu rock sobre tudo aquilo que me descompensa
E choro por todo lamento cometido em vão
Enquanto aprecio o encher do meu vazio

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Nunca mais volta a dormir aquele que uma vez abriu os olhos”

Pé ante pé, foi dando passos em direção ao desconhecido. Dia após dia foi descobrindo um mundo novo a sua frente. Sabia, mas não entendia, que nada mais seria igual dali por diante. Era tudo novidade no seu mundo até então restrito.

Aquele universo se expandiu ao passo que o mundo dele também crescia. Um bifurcamento no seu caminho, daqueles que não há tempo de parar, pensar e decidir qual seguir. Foi coisa espontânea e imprevista. Quando se deu conta, já tinha mudado o trajeto.

Cores e sons cotidianos traduziram o que antes era dúvida. Nem tudo era novo, sua interpretação é que estava evoluindo. O ambiente sonhado, as circunstâncias perfeitas. Tudo agora era real.

A insegurança agora assombra aquele que não planeja, porém não chega a desmotivá-lo. A resposta para a pergunta que nunca fez está ali, na sua frente, como um glossário a auxiliar aquele que resenha um livro mesmo sem entendê-lo por completo. Relações profissionais, conversar informais, tudo era mais simples que imaginava.

Pra que continuar a ser aquele, se o novo é melhor pra mim? Porque se restringir se meu destino é ser um pouco de tudo?

Há de ser registrar, porém, que toda mudança requer uma fase de adaptação. Nem todos aceitam ou creditam confiança no novo. Principalmente se é, nas circunstâncias do novo, que se evolui.

Foto: Melina - Flickr Honey Pie!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Observações da morte: A menina que roubava livros

Lendo o livro A menina que roubava livros, esse trecho me chamou muito a atenção. Pareceu-me oportuno nesse 11 de setembro, 7 anos depois do famigerado atentado ao World Trade Center.

(...) às vezes a raça humana gosta de acelerar um pouquinho as coisas. Aumenta a produção de corpos e das almas que escapam. Umas tantas bombas costumam resolver a questão. Ou umas câmaras de gás, ou a conversinha de canhões distantes. Quando nada disso conclui os procedimentos, pelo menos despoja as pessoas de seus meios de subsistência, e passo a ver gente sem teto por toda parte(...) e há anos em que as almas e os corpos não se somam, multiplicam-se.

Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: "Apronte logo isso, apronte logo isso." E aí a gente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Meu mundo é hoje - Paulinho da Viola

De certo que nossas experiências fazem o que somos hoje. Nos tornamos criação de nossa própria história.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Planejar e esperar

Coisas interessantes podem acontecer,
Quando a calmaria começa a incomodar.
Ela chegou cambaleando com o destino solto pelo ar.
Seu querer é indeciso.
Com sonhos inqueridos por façanhas que não são as suas.

De tempos em tempos,
Cai na real e percebe o quão sem sentido é o seu caminho.
Uma trajetória tão cheia de percalços e desvios que lhe confunde entre o que é real e o que é imaginação.

Seus planos são tortos e, frágeis, não condizem com o seu destino. Todo um universo em contradição.
Toda uma vida em constante desconstrução.
Um emaranhado de erros acometidos em um sentido único.
Partículas em constante suspensão.
Condições que não se encaixam às necessidades.

O chão se desmanchou debaixo de seus pés antes mesmo que pudesse lhe abrir os olhos para o que estava por vir...
A ilusão de planejar o futuro deixou o plano emocional para permear o plano racional, onde se desfez por completo.

Não mais se tem a utopia de querer que seus sonhos se realizem.
Apenas há uma luta para ter ao alcance ferramentas para conquistar tudo o que, ainda assim, teima em planejar.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mas agora dói

Estou sangrando. Sangrando como nunca sangrei antes.
O sangue está jorrando, encharcando todo meu corpo.
Por onde eu passo, deixo rastros de sangue.

Omissões causaram arranhões que ardem minha pele.
Fragilizada, a mágoa que pulsava dentro de minhas veias não aguentou a porta na cara.

Não foi preciso cortar os plusos.
A ferida já estava aberta.
Não foi possível derramar uma lágrima sequer...

Assim como os soluços são involuntários, as agressões de defesa também assustam.
As pessoas morrem por tão pouco.
Quando tudo o que precisavam era ferir com leveza.

Tudo tem perdão. Mas nem todos são capazes de perdoar.

"Ser pedra é muito fácil, o difícil é ser vidraça".

sábado, 5 de abril de 2008

Chegue mais minha inspiração!


Comecei um, comecei dois, comecei três, quatro, cinco e até seis.
Larguei todos.
Acho que faltou sentimento.
Espremer o máximo dos temas é minha especialidade. Mas o que está faltando?
Falta aquela música que me arrepia a espinha, falta aquele livro que me faz querer cortar os pulsos, falta aquele filme que me faz chorar, falta aquela discussão que me dá embrulho na boca do estômago.
Falta aquele guri que me deixa sorrindo à toa, sonhando acordada. Faltam beijos ardentes, abraços apertados, olhares insdiscretos. Falta aquela ansiedade ou raiva que me deixa de perna bamba, garganta seca e mãos trêmulas.
Me pergunto agora o que estou fazendo de errado?
Se a cobrança me trava, o que será de minha profissão jornalística no futuro?
Se minha auto avaliação não condiz com a avaliação dos outros, quem devo seguir?
Meu foco está se perdendo entre tantas opções e tão poucas habilidades.
Foto por Cuper